Ibovespa em queda livre: veja as ações defensivas e estratégias para atravessar a crise

Ibovespa fecha em queda com mercado aguardando o Copom

Nesta sexta-feira, 4 de abril de 2025, o mercado financeiro brasileiro afundou junto com as bolsas globais em um verdadeiro cenário de “Black Friday” fora de época. O Ibovespa derreteu mais de 3%, arrastado pela escalada da guerra comercial entre Estados Unidos e China e por dados fortes da economia americana que surpreenderam o mercado.

Durante o Closing da BM&C News, o analista CNPI Eric Joris descreveu o dia como inevitável: “Ontem conseguimos sair ilesos, mas hoje não teve como escapar desse Titanic financeiro.” Vestido de preto, em clima de luto do mercado, Eric explicou as raízes dessa forte queda.

O que derrubou o mercado hoje?

Segundo Eric Joris, o estopim do sell-off foi duplo: retaliação chinesa e payroll americano muito acima do esperado. “A China anunciou uma retaliação na mesma proporção que os Estados Unidos propôs, de 34%, a partir de 10 de abril. E o payroll veio fortíssimo, com 228 mil postos de trabalho, bem acima dos 140 mil esperados pelo mercado.”

Esses dois elementos combinaram-se para elevar o prêmio de risco dos ativos, deixando o ambiente ainda mais incerto. “Um payroll forte encorajou Trump a tomar decisões ainda mais agressivas, enquanto indica que não há perspectiva de corte de juros por lá. Isso aumenta a volatilidade global e impacta diretamente nosso mercado.”

Além disso, Eric lembrou que o ETF EWZ (o Ibovespa dolarizado) já sinalizava o mau humor logo no pré-market, caindo 3,5%.

Commodities e Petrobras em queda livre

Um dos setores mais impactados foi o de petróleo. O Brent despencou para US$ 65, abaixo do preço de equilíbrio de US$ 72. Resultado: Petrobras caiu mais de 5%, PetroReconcavo também sofreu, e o setor inteiro sangrou no pregão.

“O setor de petróleo foi o mais afetado hoje. Essa sangria vem não só pela queda da commodity, mas também pela pressão da tensão comercial global e pela expectativa de redução de consumo”, explicou Eric.

E agora? Hora de cautela — mas também de oportunidade no Ibovespa

Apesar do cenário desafiador, Eric vê possíveis oportunidades para investidores de médio e longo prazo. “A orientação é de cautela. Hoje o investidor pode começar a fazer preço médio e, se o cenário se deteriorar, ele pode aproveitar novas quedas para melhorar o custo de aquisição das ações.”

Eric foi claro: o momento não é de desespero, mas de estratégia. “A ideia é montar posições de forma parcial, orgânica, aproveitando esse mercado de liquidação para entrar gradualmente.”

Setores defensivos ganham força no mercado

Em meio ao caos, algumas ações conseguiram fechar no azul. Eric destacou: “Empresas como Sabesp, Energisa e End Brasil tiveram desempenho positivo. Esse é o típico setor que oferece oportunidades mais estáveis durante períodos de alta volatilidade, porque oferecem fluxo de caixa previsível e histórico sólido de dividendos.”

Além de infraestrutura, Eric chamou atenção para empresas exportadoras, que podem se beneficiar do dólar forte. “Papéis como WEG e Suzano são interessantes nesse cenário. A Suzano, por exemplo, exporta celulose e tende a se beneficiar tanto da alta do dólar quanto da demanda global por sua commodity.”

Qual deve ser o mantra do investidor agora?

Para quem está preocupado com o futuro ou pensando se é hora de investir, Eric Joris deixou um conselho claro:

“O investidor deve buscar setores menos cíclicos, mais previsíveis, e fazer aportes de maneira cautelosa. Infraestrutura, exportadoras e empresas com bom fluxo de caixa devem estar no radar. Não é o momento de colocar todas as fichas de uma vez, mas sim de construir posições aos poucos.”

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