Setor das telecomunicações se reúne em Barcelona, em plena batalha da IA

Rodeado de projetos de investimentos e inovação, o Congresso Mundial do Mobile (MWC) começa na segunda-feira em Barcelona em um contexto de euforia, mas também de tensões pela Inteligência Artificial (IA), cujo impulso está sacudindo o setor ‘tech’.

Durante quatro dias, aproximadamente 100.000 profissionais percorrerão os corredores dessa grande conferência anual dos smartphones e da conectividade, segundo a Associal Mundial de Operadores de Telecomunicação (GSMA), que organiza o evento desde 2006 na cidade espanhola.

De acordo com a GSMA, essa edição contará com 2.700 expositores, além de 1.200 palestrantes, a quem o público poderá escutar, em alguns casos, mediante tradução simultânea realizada graças à IA em espanhol, francês, coreano ou chinês.

A maioria dos pesos pesados do setor das telecomunicações estará presente em Barcelona, como Samsung, Huawei, Nokia, Orange e Xiaomi. Assim como as bigtechs (Google, Amazon, Meta, Microsoft…) também estarão representadas, já que o MWC estendeu seu alcance nos últimos anos para além da telefonia.

Entre os oradores anunciados estão o cofundador da Apple Steve Wozniak; o ex-engenheiro do Google Ray Kurzweil; a vice-presidente da Comissão Europeia, Teresa Ribera, e programador alemão Jürgen Schmidhuber, considerado um dos pais da IA moderna.

Essa 19ª edição chega depois que o mercado mundial dos smartphones, quase parado nos últimos anos, recuperou impulso em 2024 graças a uma dinâmica política comercial impulsionada pelo lançamento de novos produtos, especialmente por parte de fabricantes chineses.

Segundo a consultoria especializada IDC, foram vendidos no mundo 1,2 bilhão de dispositivos no ano passado, 6,3% a mais que em 2023. Os fabricantes, além disso, estão otimistas para 2025, apesar dos riscos associados ao aumento das tarifas anunciado pelo presidente americano, Donald Trump.

“O forte crescimento de 2024 demonstra a resiliência do mercado dos smartphones porque ocorre apesar dos desafios macroeconômicos persistentes”, indicou Nabila Popal, diretora de pesquisa na IDC, ressaltando o dinamismo do setor em países emergentes.

Mesas redondas, lançamento de novos produtos… Esse ano, “haverá IA em todas as partes”, adiantou Thomas Husson, vice-presidente da consultoria Forrester, recordando que as telecomunicações exercem um papel-chave no crescimento dessa tecnologia, devido à sua posição central no ecossistema digital.

Vários fabricantes e operadores já prometeram anúncios durante o congresso, como o chinês Honor, que apresentará uma ferramenta de detecção de ‘deepfakes’ (conteúdos modificados graças à IA) ou a espanhola Telefónica, que revelará aplicativos relacionados à saúde.

“A IA estará onipresente”, mas os observadores “experimentam uma fadiga crescente sobre o tema”, alertou Ben Wood, diretor de pesquisa da CCS Insight, apontando a dificuldade de apresentar inovações “revolucionárias” nesse setor.

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