Nordeste é região com maior potencial para energias renováveis, diz CEO do BNB

O Nordeste, que já figura como um polo de energia renovável, deve manter protagonismo no setor, segundo Paulo Câmara, presidente do Banco do Nordeste (BNB).

Ao Dinheiro Entrevista, o presidente do BNB destaca que o banco segue atuando como um grande financiador do segmento e que a instituição enxerga a região como a mais promissora do país, tanto energia solar quanto energia eólica.

“A região Nordeste é a região com maior potencial. Sol e vento de qualidade, no Brasil, os melhores locais ficam no Nordeste. Isso nos dá certeza de que os investimentos vão chegar. Nos preparamos para atender todo mundo que queira investir nesse segmento. Muitas vezes temos que diminuir os percentuais de cada empreendimento para chegar a todos, mas fazemos questão de chegar a todos”, afirma.

Paulo Câmara, ainda enquanto governador do Estado do Pernambuco, liderou iniciativas para promover a energia solar durante seu mandato. Ainda em 2015, lançou o programa PE Solar, destinado a incentivar micro, pequenas e médias empresas a adotarem sistemas de energia fotovoltaica.

Em 2019, durante sua gestão, foi anunciado um investimento de R$ 3,5 bilhões para a construção do maior complexo solar fotovoltaico do Brasil, localizado em São José do Belmonte.

Além disso, o atual presidente do Banco do Nordeste também, à época, desempenhou um papel ativo no Consórcio Nordeste, promovendo ações conjuntas entre os estados para impulsionar o desenvolvimento do segmento, contribuindo para que a região Nordeste se destacasse na produção de energia solar e eólica, sendo responsável por 82,3% da geração nacional dessas fontes, com uma capacidade instalada de quase 30 gigawatts (GW), representando mais de 15% da capacidade total de produção de energia elétrica do país, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Expansão e novos recordes

Ainda que com números recordes e bilhões em concessão de crédito, o BNB tem conseguido manter os patamares de inadimplência em nível controlado. Câmara revela que a inadimplência foi a menor da história do banco ainda que com essa expansão relevante na carteira de crédito e nas concessões.

“O banco tem seus padrões, suas normas, seus comitês de risco. Eles nos mostram a forma de fazer negócios que deem a segurança. Tivemos número recorde de contratação, de R$ 61 bilhões, tivemos recorde de desembolsos e lucro recorde de R$ 2,3 bilhões – e mesmo assim tivemos um dado que nos dá a segurança que estamos no caminho certo, da menor taxa inadimplência da história do banco, de 1,8%”, conta.

Desta forma, o banco tem crescido ‘de forma organizada’, segundo Paulo Câmara.

O BNB tem mantido o foco no microcrédito e o otimismo para 2025 é renovado por conta de um incremento no Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) de 18,5%.

Há anos o microcrédito no BNB é operado por dois programas – o Crediamigo, voltado para a área urbana, e o Agroamigo, para área rural – que juntos são considerados a maior experiência em microfinanças da América Latina.

O presidente do banco revela que a instituição assessora que toma empréstimo para com o BNB, acompanhando o planejamento e a operação dos negócios – fator que, indiretamente, garante maior rentabilidade para o microempresário que toma crédito e, por consequência, gera menos inadimplência ao banco.

No programa de microcrédito rural do BNB, o volume contratado passou de R$ 3,8 bilhões, em 2022, para R$ 8,6 bilhões em 2024 – representando aumento de 126%.

Em número de operações, o salto foi de 593 mil para 687 mil (alta de 15,8%), com uma elevação do ticket médio em 95%. Em 2022, o valor médio das contratações era de R$ 6,4 mil. Em 2024, esse valor foi de R$ 12,5 mil.

‘Microcrédito é transformação social’

Indagado sobre os impactos sociais das políticas do BNB, Câmara frisou que o ‘microcrédito é o maior exemplo’ de que a instituição colabora para melhorar indicadores de produtividade e desigualdade.

Segundo o executivo, o banco tem atuado para fornecer crédito para pessoas que, anteriormente, tinham pouco ou nenhum acesso a isso.

“Só vermos os casos concretos de pessoas que, lá atrás, não tinham nem acesso a banco e que tiveram acesso pela primeira vez a programas de crédito. Eram R$ 500, R$ 1 mil, que para muita gente é muito pouco mas para essas pessoas faz uma diferença enorme, e ali foram constituindo um pequeno negócio que na frente se tornou um negócio maior”, relata.

“Hoje vemos claramente que a população quer empreender. Muita gente quer emprego formal, mas muita gente quer empreender também. Essas políticas que dão condições para as pessoas empreenderem é que fazem o banco ter essa marca, de ser o banco do empreendedorismo, que apoia as pessoas que querem ter a primeira chance”, conclui.

‘Metade dos recursos do BNB vai para o agronegócio’

Atualmente, a maior fatia da carteira de crédito do BNB está destinada ao agronegócio.

Câmara relata que, olhando para o planejamento do banco para este ano, metade dos recursos são destinados ao setor.

“Se formos olhar nosso planejamento para 2025, 50% dos recursos vão para o agro, seja na agricultura familiar, seja na agricultura empresarial, seja na pecuária, quase 50% vai para esse segmento. Eles tem um potencial grande e o banco está apoiando esse potencial. Apoiando a produção de alimentos, o agronegócio, essa produção da pecuária da forma correta”, comenta.

Para o Plano Safra 2024-2025, o BNB destinou uma cifra de R$ 21,8 bilhões para apoiar produtores rurais de todos os portes na região – além de partes do Espírito Santo e Minas Gerais, que também são contempladas pela área de atuação da instituição.

Desse montante total, R$ 11,6 bilhões foram contratados até o final de fevereiro de 2025, e há previsão de o BNB disponibilizar mais R$ 10,2 bilhões até o mês de junho. ​

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