Dólar cai a R$ 5,629 após tarifas de Trump, menor valor desde outubro

O dólar terminou esta 5ª feira (3.abr.2025) cotado a R$ 5,629, queda de 1,23% no dia. É o menor valor de fechamento desde 14 de outubro de 2024, quando estava a R$ 5,582.

O resultado veio no dia seguinte ao anúncio das novas políticas tarifárias dos Estados Unidos. O presidente Donald Trump (Partido Republicano) determinou uma taxa de 10% para os produtos que o Brasil vende ao país.

Apesar de ter entrado no plano, o Brasil teve a tarifa mínima. Outras 60 nações tiveram porcentagens mais elevadas, como China e Japão.

Para economistas, o cenário pode trazer vantagens competitivas para o comércio exterior brasileiro. A avaliação é que o resultado foi menos ruim que o esperado.

Leia a avaliação de especialistas consultados pelo Poder360:

  • Alex Agostini (Austin Rating) – disse ser “difícil avaliar” os impactos no mercado, mas que o Brasil teria sido mais próximo de “vitorioso” em relação a outras nações;
  • Luis Otavio Leal (G5 Partners)“A reação [do mercado no Brasil] deve ser de neutra para boa. Não foi uma boa notícia, mas melhor do que o esperado, principalmente para o Brasil”, declarou;
  • Einar Rivero (Elos Ayta) “A alíquota de 10% é ruim, mas é menos pior do que os percentuais impostos a China, Japão, Coreia do Sul e países do Sudeste Asiático”;
  • Ecio Costa (Lide-PE) – avalia que as tarifas de 10% saíram “baratas” em um 1° momento. Mas que medidas como a retaliação aprovada no Congresso e a taxação de big techs podem piorar a situação.

A reação mais amena do mercado já era esperada por economistas. A XP Investimentos publicou um relatório nesta 5ª feira (3.abr) em que analisa o cenário. A corretora de investimentos disse que o saldo foi “positivo” para o Brasil. 

Segundo o documento, os setores exportadores de commodities, como o agronegócio, podem se beneficiar de uma guerra comercial, além de ter uma expectativa de aumento nos investimentos chineses em infraestrutura no Brasil e na América Latina.

“As tarifas impostas ao Brasil foram mais brandas do que as direcionadas a outros países. No entanto, permanecem riscos relevantes, como a tarifa base de 10% sobre todas as importações, que pode afetar importantes produtos exportados para os EUA”, disse.

LULA RESPONDE TRUMP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta 5ª feira (3.abr) que o Brasil vai responder a qualquer tentativa de impor protecionismo que “não cabe hoje no mundo”.

“Defendemos o multilateralismo e o livre comércio, e responderemos a qualquer tentativa de impor protecionismo que não cabe mais hoje no mundo”, disse em um evento de balanço dos 2 anos de seu 3º mandato.

Parte dos economistas sugerem que uma retaliação direta não seria positiva para o Brasil. Avaliam ser necessário tirar vantagem da taxa menor. O decreto de Trump determina que países com tarifas de resposta serão taxados ainda mais.

O Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e o Itamaraty lamentaram a decisão do governo dos EUA. Uma nota conjunta disse que a medida “viola os compromissos” do país norte-americano com a OMC (Organização Mundial do Comércio) e impactará todas as exportações brasileiras de bens para o país.

O Brasil importou mais do que exportou para os EUA em 2024, como mostra o infográfico abaixo:

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