O presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), Pedro Lupion (PP-PR), disse nesta 4ª feira (2.abr.2025) que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “abriga invasores nos ministérios“. A fala foi em referência ao “Abril Vermelho”, uma mobilização anual em que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) intensifica a ocupação de terras. Em 2024, foram 31.
De acordo com ele, os governadores articulam meios para conter os atos. “O movimento anuncia, previamente, que terá o Abril Vermelho mais violento e mais contundente da história. Não aceitamos nenhum e nunca vamos aceitar. Então, posicionamentos como o governador (de Minas Gerais) Romeu Zema (Novo) e tantos outros governadores que têm posto uma posição muito clara em relação ao direito de propriedade que tem que ser sempre reconhecido”, declarou durante o Cana Summit, realizado em Brasília.
No mesmo evento, Zema destacou um policiamento especializado em Minas Gerais para combater o que chamou de “invasores”, considerando a sazonalidade dos delitos.
“Com essa alta do café, o campo ficou ainda mais visado (…) esse policiamento tem feito uso cada vez maior de tecnologia, considerando a sazonalidade (da safra), já que os crimes mudam de acordo com a época do ano”, afirmou.
ESTRATÉGIA NA CÂMARA
Na véspera (1º.abr), Lupion disse que vai pedir à bancada do PL para desobstruir a pauta do plenário e da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) para tramitar projetos que miram ocupações do MST.
A Oposição na Câmara anunciou que vai obstruir totalmente a pauta das comissões permanentes e do plenário. A medida se dá em protesto pela demora na tramitação do PL da anistia e conta com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A exceção são as comissões de Segurança Pública e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.
O congressista é relator do PL 3768 de 2021 que propõe mudanças na regulamentação da Reforma Agrária. Segundo apurou o Poder360, Lupion deve apresentar um substitutivo que mira decretos e mudanças propostas pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A intenção é que a proposta seja uma “vacina” contra ocupações.
“Acabei de falar com a deputada Bia Kicis (PL-DF), que é a coordenadora do PL da CCJ, para que, nesses temas de invasões de propriedade a gente não tenha obstrução. Estamos fazendo isso com todas as comissões, não tiro a razão deles, mas é importante que a gente consiga dar celeridade nisso tudo”, declarou.