Oncoclínicas quer replicar fórmula de sucesso no Brasil na Arábia Saudita, diz CEO

A Oncoclínicas, que se tornou referência na América Latina em tratamento oncológico, está trabalhando para replicar seu ganho de escala no Brasil em solo árabe.

“Abrir uma clínica em Manaus ou Belém e abrir em Riade é para nós mais ou menos a mesma coisa”, disse o CEO e fundador da rede de clínicas oncológicas, Bruno Ferrari, ao Dinheiro Entrevista.

Segundo o executivo, 80% dos pacientes de câncer da Árabia Saudita são tratados na Europa ou nos Estados Unidos atualmente, e a Oncoclínicas desembarcou no país com a missão de mudar esse quadro.

Entenda a joint-venture

Em agosto de 2024, a Oncoclínicas assinou acordo para formar uma joint-venture com a Advanced Drug Company for Pharmaceuticals, subsidiária integral do Al Faisaliah Group – uma holding privada que lidera negócios nos setores de laticínios, saúde, eletrônicos e serviços alimentares e tem receita anualizada entre US$ 750 milhões a US$ 800 milhões.

“Falaram que viram uma grande oportunidade. ‘Olha o que você tá contando que fez no Brasil cabe exatamente com o que acho que o Reino da Árabia Saudita precisa’”, relembra.

Segundo o empresário e executivo, tudo começou quando a empresa foi convidada pela XP para um evento na Árabia Saudita, e lá conheceu vários grupos, incluindo o Al Faisaliah – que demonstrou interesse ao ouvir sobre o negócio brasileiro.

A joint-venture será voltada para o desenvolvimento de uma operação de tratamento oncológico na Arábia Saudita, tendo uma divisão de 51% para a empresa brasileira e 49% para a holding árabe.

“Quando eles viram o processo, essa cultura de tratar em sua integralidade….é o que a gente fizemos aqui no Brasil há 10 ou 15 anos atrás, é a mesma oportunidade. O país, o governo e os sócios querem, os hospitais locais também”, comenta.

A Oncoclínicas deverá investir uma cifra entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões ao longo dos próximos três anos no projeto. A estimativa é de uma receita potencial, no quinto ano da joint-venture, de aproximadamente US$ 550 milhões e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 150 milhões.

“Discutimos com farmacêuticas acordos globais. Arábia tem 36 milhões de habitantes, e todos com capacidade de receber tratamento, enquanto aqui no Brasil são cerca de 50 milhões, já que estamos falando de medicina privada”, explica.

‘Já existe cura do câncer’

Sobre o avanço dos tratamentos, Ferrari diz que ‘o câncer já tem cura’, citando que atualmente os protocolos utilizados dentro da empresa são avançados o suficiente para alcançar uma eficiência significativa.

“Acho que a grande maioria dos pacientes que nos procuram hoje vão ter o seu caso resolvido definitivamente. Uma paciente com câncer de mama em estágio inicial – e hoje em grande maioria os casos de câncer de mama que na prática privada a gente recebe, são tumores iniciais – vamos atingir níveis de cura em torno de 95%”, afirma

“O diagnóstico adequado, junto com tratamento adequado, e quanto mais precoce for, é igual a cura”, destaca.

Mais tecnologia com custos controlados

A inovação tecnológica, dentro da medicina, tende a aumentar os custos – diferente dos demais setores, em que tende a reduzir custos. Apesar disso, Ferrari revela que a companhia trabalha para ter parcimônia na gestão de recursos e na incorporação de tecnologia, oferecendo tratamentos de ponta mas calibrando as decisões e os protocolos a fim de não encarecer exageradamente os tratamentos.

“Incorporação de tecnologia é fundamental. Nós temos um núcleo de avaliação de tecnologia. Incorporamos aquilo que realmente tem impacto para o nosso paciente. Quando eu comecei na oncologia tínhamos 50 drogas para tratar todos os tumores, hoje temos mais de 500. Muitos desses tratamentos, para a mesma doença”, explica.

O CEO da empresa diz ‘com muito orgulho’ que a empresa adota uma oncologia protocolizada, gerando eficiência de custos e não tornando o tratamento tão caro para o paciente.

Oncoclínicas estreou na Bolsa em 2021

A companhia nasceu em meados de 2010, em Belo Horizonte (MG), mas hoje já marca presença em 40 cidades do Brasil. No exterior, também tem negócios na Espanha e nos Estados Unidos.

Sua entrada na bolsa de valores se deu em 2021, ano recorde de IPOs.

Atualmente, a companhia vale R$ 3,9 bilhões, conforme dados atualizados do Status Invest. Ao ano, são mais de 600 mil procedimentos realizados em 144 unidades por mais de 2.900 médicos.

No resultado trimestral mais recente, referente ao terceiro trimestre de 2024, a empresa registrou R$ 1,6 bilhão de receita líquida, com alta de 17% na base anual, e lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 309 milhões, alta de 8% ante igual etapa do ano anterior.

Além disso, no período em questão a empresa teve uma geração de caixa livre de R$ 23 milhões, considerado por analistas o grande destaque positivo do resultado.

Disparada das ações

Nos últimos pregões, as ações da Oncoclínicas mais do que triplicaram de preço, surfando uma alta atrelada a um novo sócio – a gestora Latache. Desde o dia 12 de fevereiro a alta acumulada de ONCO3 é de mais de 215% na bolsa de valores. A gestora de Renato Azevedo comprou mais de 44 milhões de ações da Oncoclínicas, deixando sua participação na casa dos 7%.

“Se percebe um descasamento entre o preço de tela e os fundamentos da companhia. Isso acaba refletindo no preço da ação, e enxergamos isso como um movimento natural. A gente acha que essa realocação de preço nada mais é do que um reconhecimento de parte do mercado de que a Oncoclínicas é uma empresa em expansão e crescimento, que tem um papel transformador na medicina, democratizando o tratamento oncológico”, diz Ferrari.

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