Zé Tonho: filme de cineasta de Diadema retrata história de pedreiro migrante baiano

A trajetória de Valdemir Oliveira Chagas, pedreiro que veio da Bahia para São Paulo em busca de melhores condições de trabalho, foi homenageada no filme “Zé Tonho”, dirigido e roteirizado por seu neto Lucas Chagas, 28, diretor e roteirista de Diadema, na Grande São Paulo.

Por meio do curta-metragem, o cineasta retratou a história de pessoas que passam a vida se dedicando ao trabalho, mas que não conseguem colher os frutos dele.

“Nós, povo das periferias, construímos diariamente essa cidade”, conta Lucas. “Eu queria que as pessoas fizessem essa reflexão, muitas vezes elas têm a auto estima destruída e não se acham o personagem principal da sua vida, mas são”, conclui. 

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No filme, o personagem Zé Tonho, migrante baiano, que construiu prédios importantes para o funcionamento da cidade, se vê em uma crise existencial ao notar que apesar de ter feito muita coisa, não construiu nada verdadeiramente significativo para a própria vida. Construiu espaços que nunca pôde ter acesso.

O curta traz questionamentos como: O que se constrói? Para quem se constrói?

Zé Tonho foi filmado 90% em Diadema. “A casa do personagem é a minha. O filme fala sobre migração nordestina e grande parte do elenco é nordestino. Isso é uma comprovação da própria pegada dele. Aqui em Diadema a migração nordestina é muito forte”, comenta Lucas.

O filme do diretor diademense tem conquistado espaço em festivais importantes. Além de ter sido exibido no Festival de Cinema de Santo André e no Festival de São Bernardo, participou da 28ª Mostra de Cinema de Tiradentes e agora segue para o Kalakari Film Festival, na Índia.




A Mostra Tiradentes é um dos eventos mais importantes do Brasil e abre o calendário de festivais. “Quando vi que Zé Tonho tinha sido selecionado, chorei copiosamente. É um festival que tem um olhar para o cinema negro, periférico, LGBTQIAPN+”, conclui.

A história do pedreiro migrante baiano atravessou os muros de Diadema e alcançou novos territórios, mas Lucas relembra que a produção não foi fácil.

‘Quando falamos em cinema, a maior dificuldade que eu tenho até hoje é de conseguir pessoas. Cinema não se faz sozinho’

O roteirista relata que fazer um filme independente, sem verba, é muito difícil. Lucas relembra que quando estava selecionando um elenco para a primeira versão da obra, convocou uma reunião de equipe e ninguém apareceu. Esse foi um dos momentos em que ele pensou em desistir. 

O roteiro de Zé Tonho existe desde 2014, quando o avô dele, Valdemir, faleceu aos 80 anos. Mas foi somente em 2020 que ele saiu do papel, com alguns ajustes. Lucas teve acesso à Lei Aldir Blanc – que prevê auxílio financeiro ao setor cultural -, e com uma verba, ele conseguiu dar continuidade ao filme.

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Quando criou o curta, o cineasta diademense não imaginava que chegaria aos festivais. A ideia era fazer exibições para as pessoas da periferia, assim como foi na sua estreia.

“A estreia fiz aqui em Diadema, na minha rua. Me juntei com dois coletivos Família Real e Mascate CineClube, levamos telas, cadeiras e pipoca”, conta. “Ele foi exibido para pessoas que vivem histórias muito parecidas com a do Zé Tonho. Agora na minha rua, virei cineasta”.

Agência Mural

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