Austin Rating alerta para crescimento mais fraco, Selic a 15% e incertezas fiscais

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A Austin Rating divulgou nesta sexta-feira (20) seu Painel Macroeconômico com projeções para a economia brasileira de 2025-2026 destacando um cenário desafiador. As principais preocupações envolvem crescimento econômico fraco, juros elevados, aumento da dívida pública e pressões externas, em um ambiente global marcado por incertezas e tensões comerciais.

Segundo Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, “embora o cenário atual não sinalize uma crise econômica com recessão, há um alerta preocupante para os próximos anos.” As condições macroeconômicas do Brasil, com expansão fiscal descontrolada e aperto monetário prolongado, devem criar um ambiente econômico mais desafiador a partir de meados de 2025.

Agostini destaca que “esse contexto pode levar a uma retração do PIB em algum trimestre pontual, redução nos níveis de investimentos e menor geração de empregos, atingindo principalmente setores fundamentais para a economia brasileira”. Entre eles, o automotivo e o de construção civil são os mais afetados, devido à sua alta dependência de crédito, uso intensivo de mão de obra e forte conexão com outras cadeias produtivas, potencializando os impactos negativos no mercado de trabalho e no crescimento econômico.

Crescimento econômico abaixo da média global

O PIB brasileiro deve crescer em ritmo bem abaixo dos países emergentes e da média global. O relatório mostra que a economia brasileira segue em estagnação, resultado de décadas de baixo investimento em infraestrutura, inovação e educação. O desempenho econômico do Brasil entre 1980 e 2023 apresentou uma média anual de apenas 2,3%, enquanto países da Ásia cresceram 7% e a média global foi de 3,4%. A falta de dinamismo econômico dificulta a geração de empregos e limita o poder de consumo das famílias. Para reverter essa tendência, seria necessário um aumento significativo em produtividade, com reformas estruturais que incentivem o crescimento sustentável.

Juros elevados e pressão inflacionária

A taxa Selic deve alcançar 15% ao ano em maio de 2025, com o IPCA acima do teto da meta no primeiro quadrimestre de 2025. A necessidade de conter a pressão inflacionária fará o Banco Central adotar uma política monetária ainda mais rígida. A projeção de uma Selic em 15% representa um cenário desfavorável para o crédito, impactando diretamente o consumo das famílias e os investimentos das empresas. Setores dependentes de financiamento, devem sentir os efeitos mais profundos, com desaceleração das vendas e aumento do desemprego. A combinação de juros altos e inflação persistente compromete a capacidade de crescimento no curto prazo.

Dívida pública e risco fiscal

A dívida bruta/PIB pode atingir 84,5% até 2026, impulsionada por renúncias fiscais e cortes de gastos insuficientes. O aumento do endividamento é uma das maiores preocupações no relatório. Medidas recentes, como a renúncia fiscal de R$ 35 bilhões com a isenção do Imposto de Renda, somadas a um ajuste tímido nas despesas, comprometem a trajetória da dívida pública. Esse cenário gera desconfiança entre investidores, podendo elevar os prêmios de risco e impactar o câmbio e a inflação. Sem um ajuste fiscal robusto e reformas estruturais, o Brasil corre o risco de perder credibilidade e enfrentar dificuldades para financiar suas necessidades.

Cenário global adverso

Tensões comerciais, especialmente com as políticas protecionistas de Donald Trump, e a fraqueza econômica na Europa aumentam a instabilidade global. A vitória de Donald Trump deve intensificar políticas protecionistas que prejudicariam exportações brasileiras, especialmente de commodities e produtos agrícolas. Na Europa, dados negativos, como a inflação alta na Alemanha e a queda das vendas no varejo no Reino Unido, reforçam o pessimismo. Além disso, o Mercosul enfrenta desafios com a União Europeia em negociações comerciais.

Esse contexto global aumenta a pressão sobre o Brasil, que precisará buscar alternativas comerciais e reforçar acordos com blocos como os BRICS para manter sua competitividade.

Setores mais afetados: construção e automotivo

Setores dependentes de crédito enfrentarão retração, impactando emprego e investimentos. A alta dos juros deve afetar diretamente setores como a construção civil e a indústria automotiva, que dependem de crédito acessível para crescer. Isso deve resultar em queda das vendas, aumento do desemprego e menor dinamismo na economia. A retração nesses setores afeta diretamente o consumo das famílias e a geração de empregos, criando um ciclo de estagnação econômica.

Compromisso com planejamento

Agostini, destaca que “não há soluções imediatas para os desajustes econômicos acumulados no Brasil ao longo dos anos. A única forma de melhorar as condições macroeconômicas de maneira sustentável é o compromisso dos poderes públicos com um planejamento estratégico de longo prazo, focado em competitividade, eficiência e inovação”. O economista ressalta que medidas como a autossuficiência na produção de derivados de petróleo, a ampliação da matriz de energia limpa para mitigar riscos de apagão e a modernização logística com integração de modais são fundamentais para reduzir custos e aumentar a produtividade das empresas. Além disso, destaca a necessidade de um novo pacto federativo para descentralizar recursos públicos, a promoção de programas de formação e reciclagem profissional e um robusto programa de concessões e privatizações que traga investimentos e modernização à infraestrutura do país.

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