Ibovespa fecha em queda com mercado de olho no pacote de gastos

Ibovespa fecha em queda com risco fiscal no radar

Segundo análise de Idean Alves, planejador financeiro e especialista em mercado de capitais, o Ibovespa teve um dia de forte queda com só três ativos avançando em alta. Todo o restante do índice caiu, o que gerou um dia negativo para a bolsa brasileira.

Acredito que o risco fiscal segue assombrando os investidores locais e estrangeiros, muito por conta do impasse sobre o pacote de corte de gastos do governo, o qual tem grande chance de ser desidratado no Congresso, o que poderia reduzir a economia de 70 bilhões de reais nos próximos 2 anos para um número que provavelmente não vai agradar ao mercado.

Nessa mesma esteira o Congresso aprovou a LDO de 2025 com previsão de déficit zero, mas com “proteção” as chamadas “emendas pix”, em uma mudança de última hora que acaba deixando a liberação delas ainda flexível. O famoso jeitinho, que na prática pode representar a falta de controle.

Esse “morde e assopra” tem incomodado o mercado. Temos o pacote de 70 bilhões de reais em economia de gastos e a isenção de IR a faixa de até 5 mil e vejo como antagônico se cortar de um lado, e abrir mão de receita do outro.

O mesmo aconteceu com a LDO, déficit zero, porém com emendas pix “livres”. Todos querem economizar, “pero no mucho”, e isso passa a mensagem para os investidores de que o comprometimento fiscal não é sério, é para inglês ver.

E para não correr tanto risco assim, os estrangeiros preferem ganhar menos, mas de forma um pouco mais “segura” em outros locais como EUA, Europa, África do Sul, Índia, entre outros.

Até por isso vimos os juros futuros subirem muito e títulos do Tesouro prefixado pagando mais de 15% ao ano. Isso porque a Selic está em 12,25%, e com ela em 14,25% que é a previsão do Copom, a curva futura pode estressar ainda mais, lembrando 2016, um ano caótico para o país do ponto de vista econômico, e sem dúvida não é por acaso.

Além disso, o FED optou pelo corte de 0,25% nos juros e sinalizou apenas mais duas quedas em 2025, projeção que caiu em relação a outras de meses atrás. O juro mais alto lá deve pressionar as demais economias a não reduzirem tanto os juros, inclusive o Brasil, e deve fortalecer também o dólar.

Falando em dólar, o boato de ataque especulativo não procede, pois se fosse de fato, os leilões do Banco Central já teriam controlado a alta, o que não está acontecendo, pelo contrário, parecem estar tentando apagar um incêndio com copo de água.

O Brasil precisa da mudança estrutural, nesse caso corte de gastos para passar credibilidade fiscal, e não medidas paliativas.

Infelizmente o dólar na casa dos R$ 6,00 parece o novo normal. Algumas empresas listadas previam dólar a R$ 6,40 para 2025, a “profecia” que parecia inimaginável está se realizando.

Na Bolsa o destaque vai para as ações de varejo e educação que sofrem com um cenários de juros altos e crédito caro, como Magazine Luiza e Cogna, e outras como Azul e CVC que tem parte de seus custos em dólar. Só Marfrig tem um dia de alta acima de 3%, o que não foi o bastante para evitar a forte queda da bolsa, já que bancos, Petrobras e Vale caem, puxando o Ibovespa para baixo.

Confira aqui os dados de fechamento do Ibovespa e demais índices:

  • Ibovespa: 120.771,88 (-3,15%)
  • S&P 500: 5.872,07 (-2,95%)
  • Nasdaq: 19.392,69 (-3,56%)
  • Dow Jones: 42.326,87 (-2,58%)
  • Dólar: R$ 6,26 (+2,78%)
  • Euro: R$ 6,50 (+1,73%)

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