BC vende US$ 1,2 bi em leilão de dólar para conter moeda americana que chegou a R$ 6,16

Câmbio elevado gera desancoragem e pressiona cenário fiscal

O Banco Central realizou, nesta terça-feira (17), um leilão extraordinário de dólar à vista, após a moeda americana atingir um novo recorde de R$ 6,16 – uma alta de quase 1% em relação ao fechamento do dia anterior. Na operação, foram vendidos US$ 1,272 bilhão, com uma taxa de corte de R$ 6,1005, em mais uma tentativa de conter a escalada da divisa.

A intervenção desta terça-feira ocorre em um cenário de crescente desconfiança fiscal, impulsionada pelas críticas recentes do presidente Lula à alta da taxa Selic durante entrevista no fim de semana. Além disso, o risco de desidratação do pacote de cortes de gastos em tramitação no Congresso tem aumentado a pressão sobre o câmbio e os juros futuros, levando a um cenário de instabilidade nos ativos brasileiros.

Intervenções do BC não freiam o dólar

Apesar das pesadas intervenções no mercado, o Banco Central tem encontrado dificuldades em conter o avanço da moeda americana. Somente na segunda-feira (16), foram realizados dois leilões:

  • Um leilão de linha com compromisso de recompra no valor de US$ 3 bilhões (já programado desde sexta-feira).
  • Um leilão à vista, sem garantia de recompra, no total de US$ 1,627 bilhão.

A operação desta terça-feira representou a maior intervenção no mercado à vista desde abril de 2020, no início da pandemia de Covid-19. Analistas avaliam que, embora o BC esteja atuando de forma agressiva, o efeito das intervenções é limitado em um ambiente de política fiscal frágil e deterioração das expectativas econômicas.

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