Opinião: “Boletim Focus vs Boletim médico”

Tradicionalmente, toda segunda-feira, às 8h25, o Banco Central comunica ao mercado as atualizações das projeções de câmbio, inflação, PIB e Selic. No último boletim, a pancada veio com a alteração do dólar ao final de 2024, de R$ 5,70 para R$ 5,95. Em tempos de maré baixa, um tsunami seria formado no mercado, mas o que trouxe, de fato, foi a transparência das autoridades do BC com a nova realidade ou patamar do câmbio no Brasil: acima de R$ 6,00, com cara de R$ 6,30.

Pelo mesmo boletim, a inflação persistente também não trouxe novidade. A grande movimentação que impactou o mercado veio do Hospital Sírio-Libanês, que comunicou um novo procedimento cirúrgico no presidente Lula. Lembrei-me rapidamente de quando o então ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega foi ao hospital fazer um exame de rotina e a notícia chegou de forma truncada ao mercado, na época, e a bolsa despencou. Dessa vez, o movimento foi inverso: bolsa subiu e dólar caiu.

A interpretação precoce da Faria Lima foi de que a saúde frágil do presidente poderia tirá-lo da corrida para reeleição em 2026 ou, pior, acreditar que o vice Geraldo Alckmin tenha musculatura política para lidar com as feras da ala mais radical do governo. Quem tomaria conta da nação? Por boatos e fatos, o mercado (sem compaixão) já sinalizou sua preferência.

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