Justiça determina fim da paralisação dos motoristas de ônibus em Mossoró


Cerca de 2 mil passageiros foram afetados pela falta de transporte público na cidade na quinta-feira (12), quando manifestação foi iniciada. Trabalhadores cobram salários atrasados. Rodoviários paralisam atividades e deixam Mossoró sem ônibus por 48 horas
O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região determinou nesta sexta-feira (13) a suspensão da paralisação dos motoristas do transporte público de Mossoró. A manifestação foi iniciada na quinta-feira (12) por conta de salários atrasados e fez com que nenhum ônibus circulasse na cidade.
Na decisão, o desembargador Eduardo Rocha determinou o retorno imediato de todo o efetivo de trabalhadores ao serviço, sob pena de multa diária de R$ 80 mil em caso de descumprimento.
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Cerca de 2 mil pessoas usam diariamente o transporte público em Mossoró e foram afetadas na quinta. Nesta sexta-feira é feriado municipal pelo Dia de Santa Luzia, padroeira da cidade.
A empresa concessionária do transporte público de Mossoró havia alegado que não circularia na data por falta de recursos para operar no feriado e atrasos nos subsídios desde julho. O Município não se manifestou sobre o caso.
Após a decisão, a empresa anunciou uma operação especial nesta sexta, com ônibus gratuitos, partindo com destino ao mosteiro de Santa Clara, no bairro Dom Jaime, local da saída da procissão, a partir das 14h30.
As linhas são Sumaré, Nova Vida, Abolição, Vingt Rosado, Bom Jesus/Belo Horizonte e Shopping/Rodoviária.
Já as linhas Planalto e Odete Rosado sairão dos bairros a partir das 15h, e a linha Nova Mossoró, às 14h45.
A frota de ônibus do transporte coletivo em Mossoró é composta por 19 ônibus, com 12 linhas ao todo.
Ônibus de Mossoró não foram às ruas
Reprodução/Inter TV Cabugi
Decisão
O desermbargador Eduardo Rocha atendeu a um pedido da prefeitura de Mossoró, que alegou que os motoristas fizeram a paralisação sem prévio aviso ou qualquer justificativa legal.
Na decisão, o desembargador citou que a paralisação por tempo indeterminado “teria sido iniciada sem observação dos requisitos legais e em data capaz de gerar graves transtornos à população do município”.
A previsão dos trabalhadores e da empresa concessionária era, inicialmente, de retorno às atividades no sábado, segundo alegou o sindicato.
Na decisão, o juiz levou em consideração ainda o fato da sexta-feira ser o feriado municipal de Santa Luzia, data importante no calendário da cidade.
Segundo o desembargador, a paralisação de serviço público essencial “em data de elevado movimento de pessoas na cidade, com afluxo de milhares de visitantes em busca da tradicional festa da padroeira Santa Luzia” acarreta uma “situação geradora de potencial caos no município, com risco de graves e irreparáveis prejuízos à sociedade”.
Veja reportagem abaixo sobre o Dia de Santa Luzia:
Fiéis celebram dia de Santa Luzia em Mossoró
Paralisação começou na quinta
Os trabalhadores do transporte público de Mossoró iniciaram na quinta-feira (12) a paralisação por conta de salários atrasados. Nenhum ônibus circulou na cidade e o ato afetou a rotina dos passageiros.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários de Mossoró, os trabalhadores cobram, além dos salários atrasados, vale-alimentação e férias vencidas.
“É uma paralisação de advertência, com respeito às condições de trabalho, à seguridade dos nossos salários, 13º que já a empresa nos notificou que não tinha previsão, como também vale-alimentação”, explicou Sebastião Ananias Filho, diretor do Sindicato dos Rodoviários.
A empresa responsável pelos ônibus também alegou que os subsídios da prefeitura de Mossoró estão atrasados desde julho. Questionado, o Município não respondeu à Inter TV Costa Branca sobre o subsídio.
Passageiros são pegos de surpresa
O atendente de telemarketing Igor Galdino usa o transporte público para se deslocar de casa para o trabalho, distantes 7 quilômetros. Na quinta-feira ele foi supreendido quando chegou ao ponto de ônibus.
“Pra mim foi muito complicado hoje de manhã, de última hora, me pegaram de surpresa, desprevenido. Fiquei sabendo pelo vizinho e também pelo rapaz que eu vim hoje de manhã, que trabalha num carro de linha”, contou.
A dona de casa Leni Batista também não sabia da paralisação e chegou a ficar 20 minutos na parada de ônibus até ser avisada sobre a manifestação. Assim, buscou outra forma de chegar ao Centro da cidade.
“Paguei 18 reais para chegar aqui no Centro. Eu achei um absurdo”, lamentou.
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