Procedimento que será realizado em Lula é de baixo risco e visa evitar novo sangramento, diz médico do presidente


Presidente passou por cirurgia em São Paulo para drenagem de um hematoma na cabeça na terça-feira (10). Segundo os médicos, ele não ficará com nenhuma sequela. Imagem mostra lesão na cabeça de Lula em outubro
Reuters/Adriano Machado/Foto de Arquivo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá de passar por uma complementação de cirurgia com “procedimento endovascular (embolização de artéria meníngea média)” na manhã da quinta-feira (12), segundo boletim médico divulgado na tarde desta quarta. Segundo Roberto Kalil, médico do presidente, o novo procedimento já estava sendo discutido pela equipe.
O procedimento é considerado de baixo risco, relativamente simples e visa evitar novo sangramento, afirmou Kalil. Deve durar cerca de uma hora e não vai atrasar a previsão de alta.
O médico ressaltou que a divulgação do procedimento à imprensa nesta tarde foi um pedido expresso de Lula e da primeira-dama, Janja. Inicialmente, ele seria comunicado apenas depois que ele fosse realizado.
A técnica é minimamente invasiva e trata o hematoma subdural crônico, uma condição em que o sangue se acumula entre o cérebro e seu tecido protetor.
A técnica visa reduzir o sangramento e promover a reabsorção do hematoma e não é considerada uma cirurgia. Segundo a assessoria da Presidência, o procedimento não é realizado dentro do centro cirúrgico e faz parte do protocolo pós-cirúrgico.
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O comunicado informa também que Lula “passou o dia bem, sem intercorrências, realizou fisioterapia, caminhou e recebeu visitas de familiares” e outras atualizações serão dadas durante coletiva de imprensa marcada para as 10h da quarta.
Um boletim anterior, divulgado pela manhã, informava que o presidente está “lúcido, orientado e passou a noite bem”.
Lula passará por complementação da cirurgia na cabeça nesta quinta, segundo equipe médica
Queda no banheiro
O petista, que tem 79 anos, passou por uma cirurgia de emergência na madrugada de terça-feira (10) para drenar um hematoma na cabeça – ainda em decorrência da queda que sofreu no banheiro de casa em outubro.
Segundo o boletim, Lula continua na UTI e evoluiu bem no pós-operatório imediato, sem intercorrências. Ele permanecerá com o dreno no local da cirurgia enquanto aguarda novos exames de rotina.
Boletim médico do presidente Lula
Reprodução
Logo após a cirurgia, os médicos disseram que ele não ficará com nenhuma sequela e que as funções neurológicas dele estão preservadas.
De acordo com a equipe médica, a previsão é a de que o presidente retorne a Brasília no começo da próxima semana. Por ordem médica, Lula está proibido de receber visitas de trabalho no hospital até ficar completamente recuperado.
No vídeo abaixo, veja a entrevista dos médicos concedida na terça, após a cirurgia:
Lula não teve sequela alguma, afirma equipe médica
A primeira-dama, Janja, acompanhou Lula na viagem de Brasília a São Paulo e está com ele no quarto do hospital.
O presidente foi internado às pressas no fim da noite de segunda-feira (9) no Hospital Sírio-Libanês em São Paulo após passar o dia com dor de cabeça. Ele achava, na verdade, que estivesse ficando com gripe.
Ainda em Brasília, ele havia passado por um exame de imagem, que mostrou uma nova hemorragia intracraniana, de cerca de três centímetros. Lula foi, então, transferido para a unidade do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo.
Foto de outubro mostra cicatriz na cabeça de Lula após sofrer um acidente doméstico
Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Embora, na queda, Lula tivesse batido a região da nuca, o hematoma estava na região do lobo frontal e do lobo parietal. O lobo frontal está localizado diretamente atrás da testa, e o parietal, atrás do frontal.
Isso acontece, segundo os médicos, porque o sangramento é causado pelo “chacoalhão” do cérebro na batida. “Quando você bate a cabeça e chacoalha pra frente e pra trás, o sangramento não é no local da batida. Ele é causado pelo chacoalhão do cérebro porque o cérebro se desloca dentro do crânio”, explicou o neurocirurgião Marcos Stavale.
O lobo frontal é considerado o centro de controle por ser responsável pelos movimentos voluntários do corpo, pela linguagem e pelo gerenciamento das habilidades cognitivas. Já o lobo parietal faz a integração das informações sensoriais, como toque, temperatura e dor.
Como foi a cirurgia
A cirurgia levou cerca de duas horas. O sangramento estava entre o cérebro e a membrana meníngea (que reveste o órgão), sem prejuízo algum ao cérebro.
O nome técnico do procedimento é trepanação. Entenda abaixo como é feito:
Entenda procedimento feito em Lula após hematoma cerebral
Arte/g1
O que é ‘trepanação para drenagem de hematoma’, procedimento ao qual Lula foi submetido
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